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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Está para vir.

Agora tou a ouvir Soaked Lamb.

Apetecia-me acordar com isto.

Acordar num quarto enorme, paredes brancas e móveis de madeira castanha muito escura.
Talvêz um hotel em New York.

Tu ias abrir os cortinados pesados, bordeaux, e punhas este cd a tocar.

A vista era a de um centésimo andar, paí. Gigante!

Era uma manhã cinzenta mas clara. Conseguia-se ver o sol a subir.

Voltavas pa cama e enfiavas a cabeça entre o meu cabelo e o meu ombro e cheiravas-me o pescoço.

Tiravas-me o cabelo das costas e beijavas-me e passavas as mãos pelo meu corpo.
Depois enroscavas-te em mim e eu sorria de olhos fechados.




O tu ainda não és tu.
O tu ainda não é ele.
Tu ainda estás para vir.

terça-feira, agosto 21, 2007

.

Insisto em procurar o sentido perdido de quem se tenta encontrar.

Descubro num papel pardo o fardo deste fado

e percorro as palavras dedilhadas de quem escreveu a chorar.


O vento empurra-me. Mas não me leva.



sexta-feira, abril 27, 2007

Vamos?

Preciso que me salves, me venhas buscar, me raptes e me tires daqui.
Leva-me para onde possa respirar enquanto ainda é dia.
Trata-me como se soubesses quem realmente sou. Como se me conhecesses para lá do furacão e do lixo que a ventania levanta.
Dá-me o tempo que eu não tenho. Faz-me acreditar que posso fingir que ele existe e saborear a calma que já não há.
Vamos onde eu me queria levar e não consigo. Fazer o que preciso e não posso.
Dá-me a tua pele, aguarelas e pincel e deixa-me escrever coisas sem nexo que sinto sem querer.
Põe a tocar o barulho silencioso de coisas que há muito não oiço. Cala as vozes que me oprimem.
Descalça-me e tira-me a roupa. Deixa-me ficar nua, espreguiçar-me e respirar fundo.

Não, fica!
Quero que fiques.


Vamos fazer de conta tão bem, que até vai parecer que é verdade!
Vamos acreditar que dá para ser feliz a fingir!
Vamos, pois vamos?



quarta-feira, janeiro 31, 2007

Querer chorar muito como se tivesse razões para isso.
Deixar que as lágrimas me caiam sem delas conseguir ouvir ritmo algum.
Gritar uma dor muda e acreditar que as almofadas onde me enrosco são o pescoço de um alguém que tarda.
Sentir o calor do dia que foge a ocupar em mim o espaço de algo que não existe.
Calar o silêncio com a ânsia de escutar o ruído ininterrupto que possuem todos os corpos com vida.
Aproximar-me do espelho e tentar reconhecer os olhos de quem vejo.
Perder-me neles para não voltar nunca mais.
Deixar secar as lágrimas e morrer na angústia de não chorar.

Tem meses em que questões hormonais me transcendem.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Se um dia me perder


Tira-me daqui!Pega em mim e leva-me contigo.Arrasta o conteúdo que me resta e não o deixes fugir.Ata.o a mim com fita de cetim vermelho e musicas quentes sussurradas ao ouvido.Não deixes que eu desfaça o laço.Não deixes que me dispa e que caminhe nua sob a chuva.Ensina-me outra vez que com a boca posso sorrir, que as lágrimas também caem de felicidade e que o coração só bate com uma razão de bater.Agarra-me contra o teu peito, entrelaça os teus dedos nos meus, e aperta com força que eu tenho medo de cair.
Beija-me a face e promete em segredo que se um dia me perder,
me vais procurar.
In Contos Fictícios

sábado, outubro 21, 2006

30´´




Combinámos encontrar-mo-nos em Lisboa.
Meti.me no táxi e la fui eu em direcção à Costa do Castelo.
Paguei, subi a rua mais que íngreme mas que com saltos é sempre mais grave quando se desce, e toquei à campanhia.
O gajo abriu.me a porta e sacou-me um daqueles beijos gigantes à direita, um abraço longo e cheio de sorrisos à esquerda, um apalpão no rabo e mais um elogio ao decote habitualmente generoso!
- Aahahah, pára com isso, parece que não tas já habituado.
- Sim, mas continuo a gostar, deixas miúda?
- Aahah, claro, a ti, sempre. O pessoal? Já chegou?
Enquanto subíamos as escadas também altamente íngremes, ias-me respondendo que ainda estavam meio atrasados, mas que iam lá ter. Pedi-te que fosses à minha frente, mas eras sempre cavalheiro, ainda que nesse dia, preferisse que nãofosses. Bastava-me apenas ir tentando puxar a saia para baixo.
- Va miúda, caga nisso, afinal já estou habituado não é..., só não tinha percebido que estava tudo assim tão descoberto e de fácil acesso.
E riste-te com gozo.
- Pára, pára com isso, pedi,te que fosses à frente!
- Sim, e mais logo na disco?, tb vais esperar que todos subam pa tu subires?
Va, hoje não era dia pa me atiçares que eu já estava mais que em altas, e o problema de refrigeração continuava. E da maneira que estava, trazer cuecas já era uma sorte!
Entrámos no corredor branco a puxar para casca de ovo, e comprido. Agora ias tu à frente e caminámos sala após sala, e apos cozinha, e apos quarto… E após quarto e entrámos naquela outra sala onde o pessoal costumava estar quando ainda éramos poucos.
-Vamos antes pa outra sala. - Pedi.te
- Yah, já vamos, tava so a enrolar uma antes de chegares, deixa-me acabar.
- Na boa. Ui, erva? Niiiiiiiice.
- Sabes como é miuda. Trato-me bem!
Ele acabou e fomos pa outra sala, a grandona, de puffs no chão, uma mesa de madeira preta e rectangular em jeito de paralelepípedo que era uma peça só e que eu adorava.
Já era Outono, mas a noite estava quente. E eu não andava mt bem das minhas temperaturas. Despi, o casaco.
-Podes abrir as janelas se quiseres.
Abri as 4 portas que haviam naquela sala que ficava na esquina do prédio, e que dava para 4 varandas pequeninas, de 2 por quatro metros, ladeadas por um corrimão de ferro forjado, preto, com arabescos deliciosos que eu tantas vezes já tinha fotografado em contraste com a luz de lisboa.
Volto pos Pufs e fumo contigo. O rosa era o “meu”, mas nesse dia sentei no vermelho.
- Vermelho?
- Sim …Hoje apetece-me. Querias ficar tu com ele?
- Na boa miúda, esta casa é quase mais tua que minha. Tas na boa.
Olho pa rua, do alto daquele 9º andar, e pelo fumo que rodopiava entre nos, vejo um aglomerados de neons, la fora, entre as lojas.

Penso um segundo, e lembro-me que dantes eras o único que aceitava as minhas vontades.
- Sabes o que me apetecia?
- Mais do que o que tas a fumar?
- Sim!
- Hum, um Mc Flury de M&M com M&M extra?
-Nepia, não é comida.
- Ui, então se n é comida, n sei. De ti já espero tudo.
- Hum, anda, baza, traz o casaco.
- Vamos onde?
- Já vês, não te preocupes que eu sei que vais curtir. O Psoal sempre vem cá ter?
- Sim, e têm a chave.
- Óptimo, baza.
Saímos de casa, apanhamos um táxi, em direcção “à Graça por favor”.
Fui dando as indicações e tu ias sorrindo curioso, e como quem quer a coisa, ias escorregando a tua mão até à minha perna. Batia.t e dizia pa parares com isso. Parámos em frente à SexShop, tu chegas-te ao meu ouvido e dizes:
- Há quanto tempo miúda.
- Tens guita?
- Se tenho? Ui, pra ti hoje, e a esse ritmo tenho tudo.
- Obrigada. boa noite.
Paguei o táxi e tu pagavas o resto. Não me fazia à cena, tu sabias que eu andava sempre à rasca com guita. Mas também nunca te pedi nada!
Entrámos, cumprimentámos o gajo que conheciamos de outros carnavais. Fizemos a conversa de sempre, e que já quase não nos lembrávamos por ter sido há muito, e o gajo la nos arranjou o que queríamos.
Saímos dali, abrímos a embalagem, e Lisboa inteira ficou com um cheiro diferente por 30 segundos. Mais outros 30 segundos enquanto eu gemia e ria que nem uma perdida. E mais 30 segundo noutro táxi que apanhámos e que supostamente nos levaria a casa.

- Hum...Disseste que tinhas dinheiro?
- Hum? Sim babe, já te disse que sim, queres ir comprar álcool?
- Não, eles trazem.
- Então?
- Olhe, desculpe, leve-nos antes à Cruz Quebrada.
Acendi um cigarro enquanto cheiramos mais 30 segundos de janelas abertas, e as tuas mãos já não escorregavam só sem querer pela minha perna. Arrastavam-se com vontade entre a minha pele e o vinil bege dos bancos reles do táxi.
Cheguei.me a ti, mordi.te o pescoço e fiquei assim, mais uns segundos, até passar.


In Contos ficticios

segunda-feira, agosto 28, 2006

Os poemas nao têm que rimar




"(...)
A tua voz não era a mesma de sempre e o barulho de outras vozes não me deixava ouvi-la nítida como era necessário.
Vi-te. Não me agradavas e eu não te agradava a ti. Mas criavas desejos estranhos e vontades insaciáveis em mim.
Fica difícil escrever-te.
Foi tão mais fácil olhar-te, e ao sitio que (des)habitas.
Quantas histórias de amor não teriam existido já ali, nesse teu espaço vazio.
Esvaziado.
O que te faria mudar de ideias e mantê-las. Seres quem queres e não quem eras?
Mente fechada a minha, ou apenas intrigada.
A luz.
Foi essa a companheira da noite, que se queria afinal escura.
Ironias.
Ela deu.me formas e aproximou.nos.
O meu corpo queria, o eu que me habita não me deixou.
Não sei se por mim se por ti. Se pelo nós que jamais existirá!
Mas quantas vezes o nós não houve e eu deixei que acontecesse?
As tuas mãos.
Suaves demais para o que se esperava. Mas de toque confortável, ao contrario de tudo.
Consigo descrever cada pedaço do que vi, e saborear ainda cada pedaço do que senti.
A tua boca, finalmente na minha.
Tudo tão pouco eu. Tudo tão pouco tu. E ainda assim, estávamos juntos ali.
Não sei se viajávamos pelos mesmo lugares. Mas tenho a certeza que era eu que ali estava contigo. As vezes. Nem sempre.
Aquilo que és não sei. A forma como escreves. Qual é?
Fazes-te desabitado. Porquê...?
(...)"


In Contos Fictícios

terça-feira, agosto 22, 2006

Tudo menos amar-te




"(...)
As minhas sandálias mostravam-me o caminho do corredor de gravilha que dava à entrada. Parei. Olhei as enormes janelas do loft e lembrei-me de quantas vezes já ali tinha estado, de quantas vezes não me conseguia lembrar devido ao estado em que chegava, e das pessoas todas que lá entravam com propósitos sobejamente hardcore para me estar a recordar naquele momento.
Mas assim, como nessa noite? Assim nunca me tinha atrevido a aproximar-me sequer.
Pensei voltar para trás, mas já me tinhas visto. E eu a ti e aos teus olhos de lince.
Não foi preciso tocar, a porta abriu-se. Sorriste com o ar de anfitrião de uma festa que estava prestes a começar, julgavas tu e receava eu.
Tinhas reservado a noite para mim, depois de receberes a minha chamada.
Entrei silenciosa. As tuas mãos agarraram-me o cabelo com desejo e beijaste-me encostado a mim a denunciar o que se seguia. O teu corpo estava quente e as tuas mãos tocaram-me as costas. Largaste-me e levaste-me até ao sofá enorme, vermelho e de formas generosas de design.
Olhei a mesa de vidro e tinhas já as linhas preparadas. Uma para ti, outra para mim, e uma que partilhávamos sempre até que os nossos narizes se encontrassem como o fio de esparguete no conto infantil.
Não nos amávamos mas havia uma qualquer cumplicidade que nos unia. Tratavas-me sempre como se fosse a rainha da festa apesar de ambos sabermos que aquele era um reino de muitas rainhas. E os teus braços eram fortes e contigo sentia-me segura para tudo. Menos para te amar.
(...)"


In Contos Fictícios

sexta-feira, agosto 18, 2006

Encontro com estranhos





"Acordei enroscada. O espaço era grande, e não entendia bem porquê estar tão próxima de outro corpo que não o meu.
Estava confusa mas inundada de uma sensação estranhíssima de preenchimento. Algo que não tinha há muito.
Lembrava-me apenas que me tinha desprendido de mim na noite anterior. Deixei que a mente se elevasse e se afastasse do meu eu material.
O som entrava em mim, e fazia-me mexer sozinha como se nada mais importasse.

Depois disto não me lembro mais de como tudo começou. Mas tenho em memória que a tua alma subiu la acima junto à minha e lhe fez companhia, e dançaram juntas."

(...)


In Contos Fictícios

sexta-feira, março 17, 2006

Ha amores que duram uma vida ...de sonho!



Eram 5 da tarde e estava a sair da agência.
Estafadíssima depois de uma noite de cafés, cigarros, pés em cima da secretária e ideias puxadas a ferros a saírem-me da cabeça e de mais 3 marmanjos a quem me juntaram e que de resto, eram memu excelentes!
Quase fulminei! Estava estafada, mas muito satisfeita! Pull Up The People…era o conceito!
Entrei no carro e arranquei…não tinha dúvidas que a direcção era a tua casa!
No caminho consegui finalmente abstrair-me de: cliente, ideias tresloucadas, Insights, Conceitos, reason Why´s e todo o caraças que envolve a cena pseudo-workaholic em que me estava a tornar por gostar realmente do que fazia.
Consegui rever toda a minha gaveta de pensamentos guardados, de há 7 anos atrás… Sim, tenho ideia que tinha sido precisamente há 7 anos anos, o dia anterior aos teus anos.
Tínhamos 22 e tu prestes a fazê-los.
Fui-te buscar ao Cais do Sodré, naquele meu Yaris mais batido que carro de Cross, e mais castanho que preto, de tanta ferrugem e sujidade à mistura. Ganda carro! Ahhahhaah
Quatro piscas e la estava com aquele sorriso de criança contente (que sinceramente acho que eu própria também fazia…que ridículas que éramos! Que ridículas deliciosas!) e com aquele outfit todo no sitio, e como so tu conseguias! (e consegues, tas cada vez melhor com o tempo! Por alguma razão o teu produtor insiste descaradamente em pôr-te em frente das câmaras e não atrás.) Tão diferentes que éramos e somos!!! Tu com tudo no sitio, e eu com akelas coisas histéricas rosa nos pés, as quais estava convencidíssima que eram lindas e dizia a toda a gente “são lindas, n são”…ao que as pessoas me acenavam que sim, e eu convencia.me que era sincero!
Sentaste-te em cima do Convite! Ups…
Ris-te de nervosinho, abriste, leste egostaste! Sim, adorast eu acho! E depois confessei.te k tava quase tão nervosa como tu, pq n fazia puto de ideia onde nos íamos meter!
Chegamos, entramos, bebemos martinis como manda a tradição e principalmente o desejo de final de dia, e comemos Sushi! 3 pratos comeste tu…ahahaah, lindo!
A conversa?...sim, a conversa. O medo, o desejo e a necessidade. Acho que foi mesmo disso que se falou! Tavamos ambas a acabar o curso, com mais ou menos dificuldades. Eu estava a dar em louca naquela agência das 9h-18h, e com faculdade quase até à 00h00. Tu estavas a dar em louca com as frequências que não acabavam…o que nos safava era o fim de semana…porrra, que vida tínhamos nós! (e que vida conseguimos manter!)
Na altura sonhávamos com mil coisas, príncipes desencantados, namorados fofos, e amantes quentes. Pensávamos nos coloridos do último sábado, nos coloridos do ultimo mês e dos namorados dos últimos anos. Pensávamos no Verão que estava quase (ou não) a chegar, e o sol, e a praia e o caloooooor…e o Brasil! Sonhávamos ir po Brasil assim que o ano novo começasse. Não queríamos mais fazer parte de buracos, nem esperar mais que uma corda aparecesse e nos içasse de la!

Brasil… mal sabíamos nós!

E pensávamos também naquela casa que iria ser tua um dia!

Estacionei o carro e apitei! Aquele teu jardimzinho lisboeta, lindo, tinha vista pa rua, (aliás, já o tínhamos saltado uma vez, depois de uma daquelas noites preenchidíssimas, em que pelo meio perdeste as chaves!
A tua cabeça apareceu…e eu ainda estava no carro, com "o" Cd a tocar alto suficiente pa conseguires ouvir. Desapareceste, e voltaste com uma garrafa de Vinho e gritaste:
- Agora que te fiz gostar de branco, vamos comemorar a vida!
Saí, tirei o Cd, e entrei em tua casa, por aquela portinha de madeira pintada a 4 mãos, num dia de verão intenso e jolas.
Foste buscar o saca rolhas, eu fui directa po jardimzinho e pákele sofá que em dias bons tinha lugar privilegiado cá fora!
Ainda não era verão, mas o fim de tarde estava quente.
Quando voltaste pa te abrir a garrafa, o Cd ja estava no Mode On…dadadada dididiii…, já eu tinha os meus ingredientes pa sopa, em cima da mesinha preta que estava na rua (e que tínhamos comprado por uma pechincha numa feira em Londres!...a mesa, leia-se!).
- Não acredito pipaaaaaas…
- Hã hã!!!!!!
Velhos tempos, pensámos.
- Quais velhos tempos? – dissemos ao mesmo tempo e rimos do gamanço telepático de ideias que sempre ali existiu entre as nossas cabeças.

Não eram velhos tempos, não. Eram novos!..., novíssimos!
Estavas prestes a fazer 29 anos…e a vida estava mais que maravilhosa! Tínhamos feito questão de correr atrás das coisas, de não esperar que nada acontecesse pa agarrarmos…mas sim fazer acontecer tudo. Largamos a preguiça e o medo, e fomos…e quebramos barraco! E voltamos cheias de sol na alma! E tudo mudou! Quase tudo! Tudo melhorou!
Conseguíamos estar ainda mais felizes que há 7 anos atrás, conseguiamo-nos amar ainda mais que há 7 anos atrás… conseguíamos viver ainda mais que há 7 anos atrás!
Em cada ano que passou, acho que te desejava sempre o mesmo: que fosses muito, muito feliz!
E acho que te dizia sempre o mesmo: Olha à tua volta, tens tanta gente que te adora de paixão!

Os anos passaram e estávamos ali. A beber vinho branco e a fumar ganzas. A falar dos príncipes desencantados, da curte do ultimo sábado, do colorido do ultimo mês, e dos últimos namorados. A falar das ultimas conquistas profissionais, e de como ainda n nos chegava ter chegado onde chegamos, e que…tínhamos de fazer qualquer coisa, tínhamos de correr atrás do sonho, e querer sempre mais e mais, e agarrar o nosso próximo sonho!

Há amores sinceros..que duram uma vida! Que duram desgraças e felicidades…
Há amores que partilham sonhos!

Este é o sonho que te desejo amiga. Esta é a prenda de sonho que gostava de te dar!

Parabéns amora! Txi amo. Txi tudo!
ps: desculpa, n consegui escolher uma foto! n consegui mesmo!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Queijo e vinho Tinto!




"Seis e meia da tarde, o sol já vai baixinho, mas não tão baixo como já esteve!
Desligo o Pc, arrumo as minhas coisas e bazo.
Elas já sairam e o Boss n apareceu a tarde toda. Fiquei de terminar um briefing, mas já não me apetece.
Tinha recebido uma msg tua de tarde, na qual ainda estava a matutar.
-Preciso de ti.- dizia!
E eu de ti...mas o dia só tem 24 horas, e...!

Pego no casaco e na mala, saio e dou 4 voltas à fechadura, com aquela chave grande que fizeram questão de me dar uma semana após estar a estagiar.
Caminho até ao carro, entro, abro a janela, acendo um cigarro, ligo a Oxigénio. Dou dois bafos, e pego no telemovel.
- Onde tas? Vou ter contigo ...deixas? Apercebi.me que temos de aproveitar!
- Hum? Sim, claro!
- Sete e meia à porta dos Armazens. Txi amo.

Desligo o telefone. Ligo o motor e arranco. O2 em alta pa respirar. Jamie Lidell, Multiply!
Alcantara, semáforos, 24 Julho, semáforos, D.Carlos I, semáforos.
Uma chamada pa Sara a Pedir que me segure as pontas, k já n ia à faculdade hoje.
Largo Camões, Semáforos, passadeiras, gente, fumo, Lisboa, metropole...como te gosto! Dou duas voltas, e encontro um lugar feito à medida. Estaciono à primeira, e não faço o homem do mercedes que vinha atras, esperar. Aliás...faço, ele abranda pa me ver sair do carro. Sorrio, e visto o casaco.
Ta frio, vejo as pessoas agasalhadas.
Elas olham pas minhas galochas e penso no que pensarão. Elas olham po meu cabelo e imagino as opiniões, elas veêm a minha minisaia numas pernas k n foram feitas paquilo e consigo entender a critica. Elas veêm-me a olhar para elas, e será k percebem que as tento perceber?
Não interessa, não importa!
Vejo de tudo, dondocas supé bem, que vão ao Chiado fazer n sei mt bem o kê, gays que se sentem mais que em casa, Freakalhocos que fazem dakelas ruas o lar e ganha pão, miudas de escola secundária com sacos xeios de saldos...Gente das Belas artes que se topam á distancia, personagens da praça publica, que n tentam passar despercebidas, e um ou dois olhares que se cruzam directamente com o meu, e que esses sim, me intrigam.

Penso nas voltas que a minha vida tem dado, e ha frases que não me saem da cabeça, pessoas que n me saem do coração, e desejos que n me saem da alma. Sinto uma pseudo.adrenalida a crescer muito lentamente ca dentro, e tou a curtir demais o momento.

Desço, ando pela rua em passos largos, e entro numa loja...o cabelo agarra-se às maos, cheio de electricidade.
Saldos, saldos, saldooooos...naaaa, hoje n tenho paciência!
Só te quero a ti!


Saio novamente pa rua e subo. Passo à porta dos armazens, e tu tás lá...reconheço.te ao longe!
Calças justas, de ganga, por dentro das botas de pele castanha.Uma camisola creme, de gola alta e malha de algodão larga. Tens o cabelo apanhado, e tas makilhada de brilhos dourados, que só na tua pele ficam realmente bem.
Vês-me e sorris sincero. Abres os braços e da-mos akele xi, e dizemos k nos amamos.
- Minha pipoca...ainda bem k vieste!
- Tens planos amora?
- Não...
- Eu tenho, anda! Hoje tamos por conta uma da outra!

Caminhamos em direcção ao novo Amo-te, e ficamos na esplanada! N temos frio.
Pedimos um café e fumamos aquele cigarro. Tamos caladas. Tams a matar saudades, de momentos como este, que por se terem tornado mais raros, passam a ser mágicos!
Começamos a desbobinar mil coisas, começando pelo dia longo que tivemos.

São nove horas já...
Pegamos em nós e decidimos não ir pa casa tão cedo. Voltamos a subir, desta vez entramos no Bairro!
Paramos à porta de uma tasca Gourmet, com ar novissimo e mais que actual. Olhamos uma pa outra e entramos.
Hoje a noite será de queijo à fatia e vinho tinto a copo.
O espaço é demasiado aconchegante. Mesas quadradas e pequenas de madeira tosca e escura. Paredes prepositadamente amareladas, um balcão tb em madeira, e aventais pretos nos empregados de mesa.
Dás-me o direito de fazer as honras e de escolher o vinho. Peço a carta e opto por um daqueles que me são familiares. Português, alentejano, casa Ferreirinha...
- já escolheu?
- Sim, queremos dois copos de Barca Velha, por favor.
..., produções limitadas de anos extraordinários.

Não quero saber! A noite é nossa, e tenho trabalhado pa ter estes luxos!
Havemos de ser grandes e poder fazer isto com a regularidade que desejamos, e vezes suficentes pa matar o desejo, embora nunca em demasia ao ponto de fartar!
Olhamos uma pa outra, e sorrimos! Conhecemo-nos bem e o nosso olhar é cumplice demais.
Abres a boca pa dizer:
- Chamo-lhe amizade... Chamava!
- Sim...agora chamamos-lhe amor!

Bebemos, comemos, rimos muito e conversamos sobre tudo o k temos cá dentro, deixamos a nossa alma toda em cima daquela mesa irregular, entre goles de vinho encorpado, e dentadas em queijos intensos!

Saímos dali e já nada importa palém da nossa felicidade. Somos furacão juntas, e arrasamos uma com a outra, quanto mais não seja, e dá-se o turbilhão! Misturam-se os sentimentos, entrelaçam-se as vidas, e damos as mãos!

Esqueço o carro. Apanhamos um Taxi.
- É para o Lux por favor!
Chegamos, entramos, subimos, pedimos, subimos, sentamos...e ficamos ali, em cima de um puff, de vodka.manga numa mão, ganza na outra enrolada em papel rosachok, e um ceu imenso sobre nós!

Está frio...mas o coração tá quente demais!
Há noites intermináveis, e ha amores que duram uma vida!"


Contos Fictícios