sábado, outubro 21, 2006

30´´




Combinámos encontrar-mo-nos em Lisboa.
Meti.me no táxi e la fui eu em direcção à Costa do Castelo.
Paguei, subi a rua mais que íngreme mas que com saltos é sempre mais grave quando se desce, e toquei à campanhia.
O gajo abriu.me a porta e sacou-me um daqueles beijos gigantes à direita, um abraço longo e cheio de sorrisos à esquerda, um apalpão no rabo e mais um elogio ao decote habitualmente generoso!
- Aahahah, pára com isso, parece que não tas já habituado.
- Sim, mas continuo a gostar, deixas miúda?
- Aahah, claro, a ti, sempre. O pessoal? Já chegou?
Enquanto subíamos as escadas também altamente íngremes, ias-me respondendo que ainda estavam meio atrasados, mas que iam lá ter. Pedi-te que fosses à minha frente, mas eras sempre cavalheiro, ainda que nesse dia, preferisse que nãofosses. Bastava-me apenas ir tentando puxar a saia para baixo.
- Va miúda, caga nisso, afinal já estou habituado não é..., só não tinha percebido que estava tudo assim tão descoberto e de fácil acesso.
E riste-te com gozo.
- Pára, pára com isso, pedi,te que fosses à frente!
- Sim, e mais logo na disco?, tb vais esperar que todos subam pa tu subires?
Va, hoje não era dia pa me atiçares que eu já estava mais que em altas, e o problema de refrigeração continuava. E da maneira que estava, trazer cuecas já era uma sorte!
Entrámos no corredor branco a puxar para casca de ovo, e comprido. Agora ias tu à frente e caminámos sala após sala, e apos cozinha, e apos quarto… E após quarto e entrámos naquela outra sala onde o pessoal costumava estar quando ainda éramos poucos.
-Vamos antes pa outra sala. - Pedi.te
- Yah, já vamos, tava so a enrolar uma antes de chegares, deixa-me acabar.
- Na boa. Ui, erva? Niiiiiiiice.
- Sabes como é miuda. Trato-me bem!
Ele acabou e fomos pa outra sala, a grandona, de puffs no chão, uma mesa de madeira preta e rectangular em jeito de paralelepípedo que era uma peça só e que eu adorava.
Já era Outono, mas a noite estava quente. E eu não andava mt bem das minhas temperaturas. Despi, o casaco.
-Podes abrir as janelas se quiseres.
Abri as 4 portas que haviam naquela sala que ficava na esquina do prédio, e que dava para 4 varandas pequeninas, de 2 por quatro metros, ladeadas por um corrimão de ferro forjado, preto, com arabescos deliciosos que eu tantas vezes já tinha fotografado em contraste com a luz de lisboa.
Volto pos Pufs e fumo contigo. O rosa era o “meu”, mas nesse dia sentei no vermelho.
- Vermelho?
- Sim …Hoje apetece-me. Querias ficar tu com ele?
- Na boa miúda, esta casa é quase mais tua que minha. Tas na boa.
Olho pa rua, do alto daquele 9º andar, e pelo fumo que rodopiava entre nos, vejo um aglomerados de neons, la fora, entre as lojas.

Penso um segundo, e lembro-me que dantes eras o único que aceitava as minhas vontades.
- Sabes o que me apetecia?
- Mais do que o que tas a fumar?
- Sim!
- Hum, um Mc Flury de M&M com M&M extra?
-Nepia, não é comida.
- Ui, então se n é comida, n sei. De ti já espero tudo.
- Hum, anda, baza, traz o casaco.
- Vamos onde?
- Já vês, não te preocupes que eu sei que vais curtir. O Psoal sempre vem cá ter?
- Sim, e têm a chave.
- Óptimo, baza.
Saímos de casa, apanhamos um táxi, em direcção “à Graça por favor”.
Fui dando as indicações e tu ias sorrindo curioso, e como quem quer a coisa, ias escorregando a tua mão até à minha perna. Batia.t e dizia pa parares com isso. Parámos em frente à SexShop, tu chegas-te ao meu ouvido e dizes:
- Há quanto tempo miúda.
- Tens guita?
- Se tenho? Ui, pra ti hoje, e a esse ritmo tenho tudo.
- Obrigada. boa noite.
Paguei o táxi e tu pagavas o resto. Não me fazia à cena, tu sabias que eu andava sempre à rasca com guita. Mas também nunca te pedi nada!
Entrámos, cumprimentámos o gajo que conheciamos de outros carnavais. Fizemos a conversa de sempre, e que já quase não nos lembrávamos por ter sido há muito, e o gajo la nos arranjou o que queríamos.
Saímos dali, abrímos a embalagem, e Lisboa inteira ficou com um cheiro diferente por 30 segundos. Mais outros 30 segundos enquanto eu gemia e ria que nem uma perdida. E mais 30 segundo noutro táxi que apanhámos e que supostamente nos levaria a casa.

- Hum...Disseste que tinhas dinheiro?
- Hum? Sim babe, já te disse que sim, queres ir comprar álcool?
- Não, eles trazem.
- Então?
- Olhe, desculpe, leve-nos antes à Cruz Quebrada.
Acendi um cigarro enquanto cheiramos mais 30 segundos de janelas abertas, e as tuas mãos já não escorregavam só sem querer pela minha perna. Arrastavam-se com vontade entre a minha pele e o vinil bege dos bancos reles do táxi.
Cheguei.me a ti, mordi.te o pescoço e fiquei assim, mais uns segundos, até passar.


In Contos ficticios

8 comentários:

Jorge disse...

Realidade ou forma de provocação?

Headache disse...

Excelente foto.

disse...

lábios...
lábios...
lábios...

bunk disse...

ca para mim das no poppers! dves saber pa ke serve, n? ui ui... gostava de sbr se iso e td veridico...

B.A.B.E. disse...

ai poppers... aquele cheiro a mofo mentolado...


dass.

Abssinto disse...

Decadentismo! apetece-me pensar qual foi o destino do tal taxi que supostamente os levaria a casa.

Beijo molhado (pela chuva, claro)

B.A.B.E. disse...

Momento Paula Bobone:

A única altura em que o homem deve passar à frente da senhora é a subir e a descer escadas. Para não ver os interiores na subida, e para evitar possíveis quedas à descida.

e o post tá mto, mto bom*

Headache disse...

Há outra altura também: ao entrar para o banco de trás de um carro também, por dois motivos: para a dama não arrastar os vestidos pelos bancos e para ficar sentada do lado direito (homem entra primeiro e fica à esquerda), o que leh permitirá não só ver o caminho (assumindo que não há ninguém no lugar do morto) como também sair primeiro quando chegarem ao destino.

E pronto, foi a informação inútil do dia.