Aquilo que deixa de existir quando dizemos o seu nome
O silêncio é de ouro.
O silêncio também fala.
Silêncio não significa esquecimento.
A vaidade é faladora; o orgulho, silencioso.
O silêncio é a virtude dos fracos.
O silêncio é a retórica dos amantes.
A palavra é tempo; o silêncio, eternidade.
Bom silêncio vale mais que má pergunta.
O silêncio é, às vezes, mais eloquente que os discursos.
Odeio silêncios. Perco-me neles...
Os silêncios são confusos, barulhentos de tanto pensamento que criam na minha cabeça. Porque o silêncio é matéria prima para a imaginação, e porque nós temos uma imaginação tão fértil e tão infinitamente negra. Irritam-me. Não consigo vê-los nem românticos, nem cúmplices, nem bonitos nem porra nenhuma. Não gosto. Sinto-me mal em silêncio. Nem para adormecer desligo a tv.
O meu suspiro de paz, dou-o quando entro na discoteca mais barulhenta, quando levanto o volume do rádio do carro com aquela música, dou-o com uma gargalhada sonora. Em silêncio os meus suspiros são de angústia.
Não, em silêncio não há qualquer paz possível.
Por isso, quando estou em silêncio, estou mal. Quando entupo e calo, é porque não consigo gerir o que penso e isso é muito mau sinal.
Vamos conversar?
