sábado, abril 15, 2006

feels so good to say a bad word

mais um mail teu que vira post! este veio mesmo a calhar! adorei ;)



MIGUEL ESTEVES CARDOSO
“PALAVRÕES”

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com caracter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante.
Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação. Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui.
Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.
Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espirito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos.
Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.
Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente ínequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar um pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso."

Miguel Esteves Cardoso

Daí o nome deste blog. Dizer um “Olha que fodasse!” com vontade e na altura certa, é terapêutico e não ofende ninguém. As obscenidades que por aqui passam, são solturas de alma, libertações do ego, suspiros do coração que fariam pior se ficassem presos cá dentro. Por isso não se ofendam. É só uma merda de um blog!

Agora vem a parte “eu, eu, eu” subjugada ao tema proposto. Ora aqui está um exemplo de palavrões, que não o sendo, são.

Eu digo milhões de asneiras e a maior parte das pessoas à minha volta também. No entanto, acho que poucas as sabem usar correctamente. Odeio ouvir amigos meus a usar “caralho” como ponto final de cada frase! Chateia-me a banalização da asneira, exactamente por achar que deve ser usadas com conta, peso e medida. Na altura certa… TAU!

Adoro quando oiço uma amiga minha a soltar um “tou ffffudida!”. Não há nada mais autêntico, embora, e infelizmente não seja totalmente verdadeiro porque ela não foi realmente fudida por ninguém. Sim, somos rapariguinhas de bem e do bem mas descer dos saltos e mandar caralhadas só nos fica é bem!
As miúdas que não dizem asneiras sempre me irritaram. Na escola, havia uma que tomava Aspegics às escondidas na casa de banho mas não dizia um “porra” que fosse. E essa é a prova! Quem não solta os demos da lexis (tradução para quem teve a sorte de NÃO estudar Semiologia/Semiótica: linguagem) fica com perturbações psico-fisio-socio-mentalógicas muito graves.

Ultimamente ando com a mania de acrescentar o palavrão “puta” antes de cada nome. Ex: “A puta da mala não fecha”. E como ando a exagerar, vou tomar um Aspegic para ver se melhora.
(o boneco? é o meu emoticon preferido do MSN!)

No meu grupo de amigos, sempre que alguém se dirige a mim e termina a frase com um “caralho” respondo automaticamente: “Caralho não! Cona!” O que é absolutamente asqueroso e ordinário mas faz todo o sentido. No fundo é uma questão de respeito mútuo e de igualdade de direitos. Se nós dizemos “obrigada” e eles “obrigado”, os palavrões também devem ser separados por género.

And now... the moment we've all been waiting for - a revelação: não digo asneiras à frente dos meus pais. É verdade. Esta língua badalhoca mete os travões ao pé dos papás. Em casa sou eu que me armo em miúda dos aspegics. Uma vez, à mesa, a almoçar no restaurante do costume, estava a conversar com um primo e saltou-me a palavra “cu”. Tinha aí uns 9/10 anos e morri. Morri de vergonha e de medo que me deserdassem. Tapei a cara e comecei a chorar compulsivamente e a minha família passou o resto do almoço a gozar comigo e a usar a palavra “cu” em todas as frases. A partir daí percebi que não faria mal nenhum dizer uma asneira ou outra. Mas não consigo! Não me sai! Sou incapaz de dizer um palavrão ao pé de alguém da minha família.

E tou aqui a pensar... se os palavrões são palavrões, que tipo de palavras serão palavrinhas? Eu voto naqueles: “linda”, “amiga”, “curto-te bué” que se dizem para amolecer os ouvidos. Prefiro que um amigo me chame “rameiroca” aos berros e à bruta (porque eu sei que é com carinho) do que andar a ouvir palavrinhas de gajos e gajas que não me dizem nada! Odeio falinhas mansas! Quem gosta a sério diz isso com uma caralhada como acompanhamento. Porque é sincero e forte. E assim eu gosto!
Para terminar, um pedaçinho de genialidade saído do baú dos comments. De quem? Claro, da amora...

“Fodasse que kuando me apercebo do kuanto te amo, só me aptece dizer asneiras!”

2 comentários:

Porcotte Pink disse...

AHAHHAHAHAHAHHAHAHHAHAAHHAHAHA
Que menina! Nem diz palavrões à frente dos pais! ;)
Eu é logo ali: por trás e pela frente! Pimbas! Não dos mais fortes, se bem que de vez em quando lá escapam. AZAR!
O que me irrita mesmo são as pessoas que olham de lado a quem diz palavrões...
E quando eu digo que não vou arranjar marido por causa do que digo, é mesmo verdade! E como não arranjo mesmo só lhes digo isto: ide deveras para a puta que vos ai parido, que palavrões digo em barda e aos magotes. Quem não gosta, pois então que feche a puta da porta atrás, que me estou a cagar...
E tenho dito! Dass!

CPiteira disse...

estive imenso tempo a pensar no comment pq queria sublinhar alguma das frases d Miguel... mas sublinho quase o texto todo!

é tão verdade q até faz confusão!

d ti? d ti sublinho "Odeio ouvir amigos meus a usar “caralho” como ponto final de cada frase! Chateia-me a banalização da asneira, exactamente por achar que deve ser usadas com conta, peso e medida. Na altura certa… TAU!"

é tão verdade q até faz confusão!

e o "acrescentar" da palavra puta antes d qualquer objecto é lindo! melhor ainda se o objecto for no masculino... exemple: a puta do blog!

:)

Bjs!

eu sei... eu sei... às vezes teho mails mesmo bons!lol